Bibliotecário-assessor, bibliotecário particular

Recentemente, por indicação de uma amiga, também bibliotecária, me procuraram para um trabalho que eu nunca havia feito, apesar de ter sempre pensado sobre como seria: alguém (finalmente) queria um bibliotecário-assessor, ou bibliotecário particular! Neste caso específico, trata-se de uma doutoranda que precisava de ajuda não apenas com a formatação da sua tese (e quem não precisa?), mas de uma ajuda na organização do texto, na submissão de artigos para publicação (geralmente um dos critérios de avaliação de doutorandos), na pesquisa por artigos e textos científicos, além da futura temida atualização do Currículo Lattes.

Apesar de já estar bem empregado, com funções bastante interessantes e que a cada dia exigem mais, sinto falta dessa coisa bibliotecária do polímata — afinal de contas o que me atraiu à Biblioteconomia foi a curiosidade sobre generalidades.

Há cerca de três meses venho prestando esta consultoria a esta doutoranda — além das consultorias corriqueiras de normatização e criação de ficha catalográfica — trabalhando tanto tête-à-tête quanto à distância. Agora que a tese finalmente foi entregue (nos desejem boa sorte!), acredito poder falar com mais calma sobre o processo que estamos desenvolvendo até agora.

Em linhas gerais, a função principal do bibliotecário particular é adequar as necessidades do cliente às realidades técnicas e práticas da avaliação (seja a que será executada por uma banca, seja a que será executada pelos critérios de qualidade do próprio cliente). Encontros presenciais para discussão do trabalho, dos objetivos a curto, médio e longo prazo do cliente, e das possibilidades técnicas (inclusive do próprio bibliotecário) são essenciais para que os trabalhos andem com o cuidado que merecem. Neste caso específico, começamos com encontros em que discutíamos o processo pelo qual ela vinha trabalhando na tese, e ao mesmo tempo, relíamos o material já produzido e o adequávamos aos objetivos da futura avaliação — isto é, o trabalho estava sendo preparado no formato de artigos independentes e fomos concatenando-os em formato de monografia. Nesta mesma função, o bibliotecário fazia sugestões metodológicas (inserir determinado conteúdo em determinado trecho; transformar determinado quadro em texto ou vice-versa; procurar referências para embasar determinadas afirmações; etc), acatadas ou não, e aprovadas ou não, pela graduanda e seu orientador. Paralelamente, também foi necessária busca por artigos em bases de dados (no caso, no Portal de Periódicos da CAPES), tanto de textos específicos solicitados nominalmente, quanto que pudessem ser relevantes e agregassem à escrita da doutoranda (cujas temáticas e especificidades foram definidas através de entrevistas de referência). Ainda, foram submetidos alguns artigos e resumos para periódicos e para eventos — a normatização dos textos e a busca por periódicos com regras de submissão simpáticas e viáveis eram funções do bibliotecário-assessor.

Ainda há muito trabalho: há o Currículo Lattes a ser atualizado, há a revisão dos comentários finais por parte do orientador, há outros artigos a serem finalizados e submetidos para publicação. Eu sugeriria ainda a organização da biblioteca particular e dos arquivos de computador da pessoa (o que sempre é um problema, pois é difícil da pessoa manter a organização após a arrumação pelo especialista), mas estas são questões para o futuro…

Trabalhamos com uma remuneração por hora, definida previamente, e é bom termos horários flexíveis — às vezes trabalhar de casa, às vezes trabalhar em conjunto, sincronizar agendas e prazos. Nada que uma conversa tranquila não resolva. Esta foi (tem sido?) uma experiência bastante gratificante: lidar com gente tende a ser bom, lidar com assuntos desconhecidos me é estimulante, normatizar, padronizar e repensar metodologias é algo que sempre gostei de fazer. Definitivamente esta é uma área que merece mais atenção (e discussão!) por bibliotecários que não se vêem em trabalhos exclusivamente burocráticos (que, no fim das contas, é do que se trata a grande parte da formação em Biblioteconomia que eu tive na faculdade).