Comunidades virtuais e redes sociais

O bloqueio a comunidades virtuais e a redes sociais em bibliotecas e centros de informação é justo? Não vou discutir aqui se é moral ou imoral tal proibição, se o que se passa é censura ou cuidado com o usuário. O ponto é que tais medidas geralmente vêm embasadas em justificativas que são compreensíveis na teoria, mas que, quando praticadas, acabam por bloquear fontes de informação ricas e úteis.

Peguemos por exemplo o decreto nº 49.914, de 14 de agosto de 2008 da Cidade de São Paulo (Publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo nº 152 – DOM de 15/08/08 e com acesso aqui) que dispõe:

Art. 1º. A Lei nº 14.098, de 8 de dezembro de 2005, que dispõe sobre a proibição de acesso a “sites” da Internet, com conteúdos relacionados a sexo, drogas, pornografia, pedofilia, violência e armamento, no âmbito dos órgãos da Administração Municipal Direta e Indireta, fica regulamentada na conformidade das disposições deste decreto.
Art. 2º. Todos os órgãos integrantes da Administração Pública Municipal Direta e Indireta, inclusive as empresas públicas e sociedades de economia mista por ela controladas, ficam obrigados a adequar suas redes de comunicação e de dados, de forma a impossibilitar o acesso a conteúdos inadequados. [grifo nosso]

A questão a ser debatida, então, é Quanto conteúdo que não é “considerado inadequado” é bloqueado quando tais filtros são utilizados? Os softwares que agem neste sentido geralmente bloqueiam o acesso a páginas em que uma ou mais palavras de uma lista proibida (o “sexo, drogas, pornografia, pedofilia, violência e armamento” do Decreto), bloqueando, contudo, páginas que podem ser úteis mas que também utilizam tais palavras. Ao bloquear páginas sobre [sexo], por exemplo, pode-se proibir o acesso à pornografia, mas também sites sobre educação sexual, apenas para citar um exemplo óbvio.

Por se tratar de uma comunidade, nada mais saudável do que esperar uma variedade de pessoas, comportamentos e pontos-de-vista. Ao mesmo tempo que surgem pessoas interessadas em responder dúvidas e oferecer auxílio, há aquelas que querem apenas tumultuar ou perder tempo.

A biblioteca deve, então, educar seus usuários para que eles saibam retirar o máximo destas redes, discernindo o que é informação relevante da inúteil, como formular perguntas simples e eficientes, enfim, como utilizar a tecnologia que existe e não acabará por decreto.

A proibição tola ignora o  fato de que hoje, ao pesquisar por [Orkut bloqueado] no Google, a primeira página recuperada tem como título “Orkut bloqueado aprenda a desbloquear!” (sic).

O bibliotecário — que não deveria ser preguiçoso — deve aprender a lidar com estas fontes de informação informal e secundárias, passando o seu conhecimento para os usuários mais afoitos e que ainda não entenderam o espírito das comunidades virtuais e de todos os benefícios que elas podem trazer.