Eleições 2018 para o governo do Rio Grande do Sul

O que os candidatos para o governo do Rio Grande do Sul têm como proposta à cultura e a bibliotecas?


Metodologia

As propostas foram baixados do site do TSE, através do portal de Divulgação de Candidaturas, em 5 de setembro de 2018.

Através da ferramenta de pesquisa e localização, cada proposta de governo foi verificada se continha os seguintes termos: biblioteca, bibliotecas, bibliotecária, bibliotecárias, bibliotecário, bibliotecários, cultura, leitura, literatura, livros.

Os trechos que continham alguma destas palavras foram analisados afim de se identificar de que forma cada candidato pretende abordar as questões de bibliotecas, de pessoal de biblioteca de carreira pública, de leitura pública e escolar, e de acesso e promoção à cultura, especialmente do livro. Foram privilegiados trechos com informações e propostas concretas sobre estes temas.

Os trechos foram retirados dos programas de governo, mas não foram avaliados individualmente, para evitar ao máximo a interferência do viés do autor deste artigo.

Na lista abaixo, os candidatos a governador do RS estão listados na mesma ordem em que aparecem no site do TSE, acompanhados do nome de seu vice.


Resultados

Como veremos são poucos os candidatos que mencionem bibliotecas ou bibliotecários em suas propostas. Quando versam sobre cultura, as propostas geralmente tratam de forma genérica a área, sem abordar aparelhos específicos.

Nenhum candidato ao governo do estado do Rio Grande do Sul menciona a inexistência de concursos públicos para bibliotecários, a Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul ou o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Rio Grande do Sul.

Abaixo estão os trechos das propostas de governo dos candidatos


Eduardo Leite (PSDB) e Delegado Ranolfo (PTB) / Número 45
Coligação Rio Grande da Gente (composição: PSDB, PTB, PRB, PPS, PHS, REDE e PP)

Na proposta de governo não há menção a bibliotecas ou bibliotecários. Tampouco há menção a leitura, livros ou literatura.

Contudo, há menção à cultura:

  • “Mapearemos as potencialidades e carências das diferentes regiões do Estado e […] adequaremos as melhores estratégias […]” (p. 44)
  • “A atuação preferencial do Estado deverá dar-se na condição de agente estratégico no processo de maximização do uso dos recursos (p. 44)
  • “[…] estimular a colaboração de empresas privadas e sociedade em geral por meio de programas e incentivos tributários […]” (p. 45)
  • “[…] tornando mais efetivas as leis de incentivo e fundos de apoio já instituídos.” (p. 45)
  • Atuará de forma mais proativa nas articulações junto ao governo federal […] maior transparência e equidade na distribuição de recursos […]” (p. 45)
  • “Retomaremos programas de apoio à criação cultural e prática esportiva de alto rendimento;” (p. 45)
  • “Buscaremos a ampliação e a melhoria da oferta de equipamentos e recursos através de parcerias com o setor privado, destacando os convênios com institutos, centros e clubes;” (p. 45)
Jairo Jorge (PDT) e Cláudio Bier (PV)Número 12
Coligação Frente O Rio Grande Tem Solução (composição: PDT, Avante, PV, PODE, PPL, PMB e Solidariedade)

Na proposta de governo não há menção a bibliotecas ou bibliotecários. Tampouco há menção a leitura ou livros.

Há menção à literatura e cultura:

  • “Programa de incentivo à difusão de todas as 11 expressões de arte (música, dança, pintura, escultura, teatro, literatura, cinema, fotografia, história em quadrinhos, jogos multimídia e arte digital) nas regiões do Estado, especialmente envolvendo as unidades de educação do Estado, e escolas em geral;” (ponto 34)
  • “[…] investimentos e sinergia nos espaços culturais no centro histórico de Porto Alegre sob responsabilidade do Estado;” (ponto 33)
  • “[…] ampliação e aprimoramento do Fundo de Amparo à Cultura e da Lei de Incentivo à Cultura” (ponto 33)
José Ivo Sartori (MDB) e Cairoli (PSD)Número 15
Coligação Rio Grande no Rumo Certo (composição: MDB, PSD, PSB, PR, PSC, PATRI, PRP, PMN e PTC)

Na proposta de governo não há menção a bibliotecas públicas (apenas escolares) ou bibliotecários. Tampouco há menção a leitura ou livros.

Há menção à literatura e cultura:

  • “[…] manter o ritmo de obras […] e redobrar esforços para dotar, progressivamente, nossas escolas de equipamentos e meios que potencializem a aprendizagem, tais como laboratórios, bibliotecas [escolares] e salas digitais.” (p. 16)
  • “Realizar, apoiar, articular e promover projetos culturais de grande efeito multiplicador – festivais, bienais, feiras, mostras, espetáculos, etc. – nas várias expressões da cultura regional, entre as quais a música, o folclore, as artes plásticas, o cinema e a literatura;” (p. 49)
  • “[…] Organizar calendários semestrais das atividades para cada setor da cultura, articulando iniciativas públicas e projetos privados, evitando a competição pelos mesmos públicos e pelos mesmos recursos […]” (p. 50)
Júlio Flores (PSTU) e Ana Clélia Teixeira (PSTU) / Número 16

A candidatura não tinha registro de propostas de governo até o dia 05 de setembro de 2018, data de publicação deste artigo.

Mateus Bandeira (Novo) e Bruno Miragem (Novo) / Número 30

Na proposta de governo não há menção a bibliotecas ou bibliotecários. Tampouco há menção a leitura, livros ou literatura.

Há menção à cultura:

  • “Porém, a ideia de que as atividades e instituições da área da cultura devem ser administradas direta e exclusivamente pelo setor público é um dos aspectos mais atrasados do RS. E é totalmente contrária ao que é apresentado por este plano de governo.” (p. 87)
  • “Mapear os equipamentos culturais do estado (museus, teatros, centros culturais, etc) e promover um grande diagnóstico das necessidades e potencialidades.” (p. 89)
Miguel Rossetto (PT) e Ana Affonso (PT)Número 13
Coligação Por um Rio Grande Justo (composição: PT e PC do B)

Na proposta de governo não há menção a bibliotecas ou bibliotecários. Tampouco há menção a leitura, livros ou literatura.

Há menção à cultura:

  • “Nosso Governo propõe resgatar o Plano Estadual de Cultura com Colegiados Setoriais e assegurar os recursos do FAC (Fundo de Apoio à Cultura), retomar e valorizar as culturas populares — nomeadamente a cultura negra, da capoeira, do hip-hop e do carnaval de rua. Compromete-se também com a formulação e a implementação de Políticas Culturais, inserindo-as entre as suas ações prioritárias, como estratégia de combate à violência da juventude da periferia e na qualificação da educação pública.” (p. 4)
Paulo de Oliveira Medeiros (PCO) e Jeferson Mendes (PCO)Número 29

A candidatura não tinha registro de propostas de governo até o dia 05 de setembro de 2018, data de publicação deste artigo.

Roberto Robaina (PSOL) e Professora Camilla (PSOL)Número 50
Coligação Independência e Luta para Mudar o Rio Grande (composição: PSOL e PCB)

Na proposta de governo não há menção a bibliotecas ou bibliotecários. Tampouco há menção a leitura, livros ou literatura.

Há menção à cultura:

  • “Garantir o acesso da juventude à educação, ao trabalho, à cultura, ao lazer e a todos os espaços através de um Plano Estadual para a Juventude.” (p. 69)
  • ” Garantir espaços de cultura democráticos para os jovens artistas.” (p. 69)
  • “Incentivo à criação e consolidação de orçamentos de cultura nos municípios.” (p. 81)
  • “Incentivo à criação de Fundos Municipais de Cultura.” (p. 81)

Comentários finais

Para a área da biblioteconomia, as propostas dizem pouco. Há uma ou outra menção à atividades culturais que podem ser interpretadas como ligadas à área de leitura pública. Nenhum candidato manifesta propostas para as bibliotecas públicas do estado, especialmente a Biblioteca Pública do Estado.

Mas este tipo de ação não depende apenas dos cargos executivos: escolher um bom candidato para o Piratini deve estar acompanhado de boas escolhas para os cargos legislativos. Afinal, são papéis que se desempenham em conjunto.