Kit de ferramentas para a Agenda 2030 da ONU

Em agosto deste ano a IFLA divulgou seu sucesso em incluir à pauta da Agenda 2030 da ONU no mínimo um objetivo sustentável ligado às bibliotecas. Hoje, então, ocorreu um webinar para dar prosseguimento a este projeto.

Com a participação de 29 pessoas de todo o mundo, a reunião virtual durou cerca de uma hora e contou com a fala de Fiona Bradley, gestora dos programas de desenvolvimento da IFLA, e de Niclas Lindberg, secretário-geral da Associação Sueca de Bibliotecas. O evento foi moderado por Loida Garcia-Febo, coordenadora dos webinars da IFLA, além de membro da diretoria da IFLA e da ALA. A intenção da reunião era explicitar novamente os objetivos da participação da IFLA junto à ONU e apresentar o toolkit, ou kit de ferramentas, que os bibliotecários poderão usar para seu trabalho de advocacia junto a seus governos locais. A reunião foi gravada e assim que estiver disponível, a divulgarei aqui no blog.

Fiona Bradley iniciou sua fala explicando novamente o que são os objetivos da Agenda 2030 da ONU: são 17 objetivos gerais, e centenas de específicos, que todos os países do mundo devem alcançar até 2030, sendo que os meios pelos quais as metas serão atingidas devem ser discutidas local e regionalmente. A proposição de um destes objetivos, relacionado ao acesso à informação, se deu através da IFLA e foi acatada pelos redatores da versão final do documento. Também é interessante ressaltar que a Declaração de Lyon, de 2014, é uma prévia do que a IFLA busca conseguir com sua participação na Agenda 2030 — isto é, munir bibliotecários e suas associações de argumentos mais robustos e potentes para a advocacia perante órgãos governamentais locais e regionais. Bradley ressalta que bibliotecas precisam de mais verbas para oferecer acesso à informação e cultura em todas as mídias e formatos e tanto a Declaração de Lyon quanto a Agenda 2030 ajudam a destacar as contribuições possíveis de serem executadas por bibliotecas visando ao desenvolvimento social. Ou seja: estes recursos, agora sancionados pela ONU, são úteis para toda a comunidade bibliotecária reforçar suas atividades de advocacia nos tópicos que a IFLA já vem pautando. A palestrante, ao final, relembra a necessidade de compartilhar com a Federação os resultados locais obtidos com estas ferramentas, além da importância de divulgar para a comunidade geral os planos da Agenda 2030.

Em vista disso, Niclas Lindberg traz o exemplo da Suécia, apresentando uma linha de tempo dos trabalhos deles e suas melhores práticas de advocacia. Ele cita, então, que o início dos trabalhos naquele país se deu em junho e julho de 2014 quando membros da Associação sueca e também membros da IFLA tiveram acesso a informações antecipadas dos planos para a Agenda 2030 e tiveram tempo para se organizar e agir. Já em agosto e setembro de 2014, o plano deles foi aumentar o conhecimento público sobre os planos através da mídia. O palestrante ainda cita a importância de conhecer os prazos dos políticos e governantes junto aos quais advogar para garantir uma maior margem de sucesso.

Os planos para o futuro são os seguintes, conforme apresentado na parte final do encontro:

  • criação de um programa de advocacia da IFLA para qualificar e aprimorar as técnicas das associações locais e regionais;
  • criação de atividades em nível regional, a partir da seção Action for Development through Libraries Programme (ALP) da IFLA, também para estimular o debate público local sobre os 17 objetivos da Agenda 2030;
  • acompanhar o desenvolvimento dos países em relação à Agenda 2030 com reports periódicos a cada quatro anos, no mínimo, além da criação de critérios para este acompanhamento a partir da metade de 2016.

E como os bibliotecários e suas associações podem começar a se organizar?

Para isso, a IFLA lançou um “toolkit”, ou kit de ferramentas, para nortear os trabalhos de advocacia. O texto está disponível neste link em diversos idiomas, inclusive o espanhol. Segundo o release da Federação, o kit deverá ajudar a advogar junto a políticos em nível nacional e regional para garantir que bibliotecas e o acesso à informação sejam incluídos como parte dos planos de desenvolvimento a fim de que se atinjam os objetivos da Agenda 2030 da ONU. Também segundo a Federação, a advocacia é essencial agora para garantir o reconhecimento do papel das bibliotecas como motores do desenvolvimento local e para garantir que bibliotecas recebam os recursos necessários para continuar o seu trabalho.

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