O Cuidado com os livros

O texto abaixo, apesar de não tratar de “tecnologias”, foi escrito por mim e foi publicado originalmente no SP Informação de dezembro de 2011 — informativo da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, organização para a qual fiz um trabalho naquele ano. O texto é propositadamente superficial devido ao espaço disponível e trata de como melhor lidar com os livros, dando dicas para que eles se mantenham usáveis pelo maior tempo possível. O texto original (e o informativo) está disponível neste link (arquivo em .PDF).

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O Cuidado com os livros

Mesmo que os brasileiros não sejam grandes consumidores de  livros, cada um de nós já teve oportunidade de lidar com este tipo de material. Alguns, inclusive, compram livros com frequência. Contudo, apesar de terem sido feitos para serem utilizados, muitos livros acabam sendo vítimas do próprio uso, desgastando-se. O que fazer, então, para que durem por mais tempo?

O primeiro passo, e mais importante, é saber como se deve manusear um livro: ao lermos um livro – nosso, emprestado de amigos ou de uma biblioteca -, nos tornamos responsáveis por sua conservação. É necessário, portanto, atentar para algumas atitudes que afetarão permanentemente os livros, como dobrar suas páginas, fazer orelhas, ou deixar objetos entre as folhas (como flores, recortes ou grampos metálicos). Essas práticas devem ser evitadas porque quebram as fibras do papel ou aceleram sua acidificação, deflagrando processos irreversíveis de degradação. Opte por marcar onde pausou sua leitura com marca-páginas de papel e evite riscar livros, especialmente se forem de uso comum. Caso seja necessário fazer anotações, prefira usar um lápis 6B de ponta grossa, que pode ser apagado com facilidade.

Também convém não comer ou beber enquanto se lida com obras em papel: restos e farelos de comida que possam cair sobre ele atraem pragas, além de possivelmente mancharem e danificarem a estrutura do papel. E este ponto nos leva à questão da melhor forma de higienizar livros.

O ideal é que os livros nunca acumulem muita sujeira, o que significa que é necessária higienização frequente — de seis em seis meses, por exemplo. Espanar
gentilmente sua superfície externa (capa, contracapa, curtes superior, inferior e lateral) com um pano ou pincel seco é suficiente. Contudo, é necessário sempre
atentar para que o pó dos livros não voe e volte a se acumular sobre as prateleiras. Caso haja necessidade de uma limpeza profunda, como a exigida por manchas, restos de alimentos grudados ou danos por pragas e mofo, é necessária a higienização folha a folha, feita por restauradores ou bibliotecários. Eles são os profissionais mais indicados, pois possuem ferramentas apropriadas para cada problema.

A preocupação com a armazenagem dos livros também deve existir: o papel é instável por natureza, e, portanto, quanto menos variações no seu ambiente, melhor. Desta forma, livros devem ser armazenados longe da luz direta e em ambientes arejados, inclusive nas prateleiras. Isto significa que os livros nunca devem estar completamente ao fundo das estantes. Eles também não podem estar apertados uns contra os outros: é preciso que haja alguma folga entre eles. Esta medida evita dois problemas: impede que as capas se colem umas nas outras e, na existência de pragas, dificulta sua movimentação e o aumento dos danos. Ainda, livros grandes demais para as prateleiras devem ser armazenados apoiados horizontalmente sobre as lombadas. Assim, o peso das páginas não danificará as costuras dos cadernos. Também é válido ressaltar que a melhor forma de restaurar obras em papel é chamando um restaurador: medidas caseiras prejudicam os itens a longo prazo. Assim, são desaconselhados “consertos” com o uso de fitas adesivas e cola branca para recuperar páginas soltas ou rasgadas. Livros também não devem ser encapados, visto que o material acidifica e amarela o papel.

O mobiliário, por fim, também tem uma função importante na conservação. Móveis de metal, por impossibilitarem a infestação de pragas como cupins e por não afetarem o papel, são a melhor pedida. Contudo, estantes de madeira são as mais comuns e dão um charme especial às bibliotecas. Neste caso, é essencial que eles sejam arejados, desinsetizados e que sejam higienizados por dentro com um pano umedecido ou com um aspirador de pó. Prateleiras também não devem ser encapadas e o uso de material de limpeza deve ser reduzido a zero, se possível.

A preservação dos livros, então, é baseada em boas práticas que indicam a melhor forma de manuseá-los, de higienizá-los e de armazená-los. Ao colocá-las em uso, nossos livros — e os dos outros — tendem a durar muito mais tempo.