O Texto é hipertexto

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A sistematização da impressão proposta por Gutenberg promove o texto escrito de maneira nunca antes vista no ocidente, quiçá no mundo. A adaptação dos tipos móveis criados pelos orientais para o alfabeto latino, que é usado quase sem modificações pelas línguas européias, trouxe grandes conseqüências. Os monges copistas, que se dedicavam quase com exclusividade a repassar o texto em sua completude para novas páginas, agora não eram mais tão necessários. A distribuição do conhecimento, que antes dependia destes mesmos monges, seria facilitada e acarretaria na explosão do aprendizado.

http://br.youtube.com/watch?v=SdD3DIa3adQ

O documentário “Stephen Fry and the Gutenberg Press”, da BBC Four, acompanha a montagem de uma prensa de Gutenberg nos dias atuais. Em inglês, sem legendas, em 6 partes.

Deve-se ressaltar, contudo, que não haveria tanta produção de livros se não houvesse necessidade de livros. As pessoas, que lenta e gradualmente foram sendo alfabetizadas, formaram uma massa de público leitor, o que acabou por fomentar a nova indústria. O Iluminismo, época de florescimento intelectual europeu e que serviu de base para o desenvolvimento da sociedade contemporânea, só foi possível graças à publicação da Enciclopédia de Diderot e d’Alambert, coleção que continha os textos dos mais proeminentes pensadores e cientistas da época, e que tratava de assuntos tão diversos quanto filosofia, política, religião, etimologia, física, biologia. O público menos intelectualizado também foi saudado com publicações: a Bibliothèque Bleue, por exemplo, era composta por diversos volumes da literatura popular dos séculos XVIII e XIX.

Devido ao grande volume de publicações a que se chegou, também foi necessário desenvolver formas de se recuperar e de se citar o que já fora escrito. A paginação, forma numerada de organizar as folhas de um livro, é essencial neste sentido e só foi possibilitada com a transformação dos rolos de pergaminho em conjuntos de folhas separadas e coladas por uma de suas laterais. Criam-se, então, os sumários, que sistematizam o conteúdo de um livro logo no seu início e facilitam a busca por trechos específicos perdidos na resma. Notas de rodapé e as referências também ajudam no sentido de localizar o livro em um mundo de outras publicações: um autor cita outro autor e demonstra que o conhecimento de fato flui entre os membros da Academia. Lê-se, referencia-se e citam-se trechos específicos de cada livro, sendo possível fazer um apanhado geral do conteúdo de uma disciplina – as revisões de literatura, por exemplo.