O Trabalho de Conclusão de Curso

Este post, diferentemente dos anteriores deste blog, não é relacionado a um produto ou serviço — sequer trata de Tecnologias da Informação. Gostaria de compartilhar pontos interessantes sobre o que aprendi durante a realização do meu Trabalho de Conclusão de curso em Biblioteconomia. Não há dúvidas de que este processo é pessoal e o desenvolvimento tanto do trabalho, quanto da relação com os colegas e professores envolvidos é único, mas aqui estão pontos que acho que merecem ser mencionados.

O que eu descobri neste um ano foi o seguinte:

– Escolher um tema é difícil, e mais difícil ainda é selecionar um recorte adequado. Quando comecei a cogitar professores para o posto de orientador, eu pensava em estudar o hipertexto, ou melhor, a qualidade hipertextual dos textos. Eu gostaria, inicialmente, de investigar quão hipertextuais são os textos analógicos. Depois, durante a escrita deste artigo, achei que seria mais interessante pesquisar as características dos documentos que precisam existir apenas no meio digital. Depois, finalmente, mudei a linha de investigação para descobrir o que significa ser “digital” (e “exclusivamente digital”, como conseqüência) para cada área da ciência;

– Escolher um professor é difícil, tanto porque cada um tem um interesse diferente, quanto porque cada um tem uma agenda diferente. Consegui convidar dois professores do meu curso: o orientador tem formação na Informática, já a co-orientadora, na Biblioteconomia. Fiquei satisfeito com esta escolha, pois me pareceu mais ajustada ao meu assunto: Tecnologia e Ciência da Informação;

E-mails precisam ser escritos corretamente, especialmente se os professores são muito ocupados. Clareza. Precisão. Foco. E Negrito nos lugares certos. Só. E um pouco de esperança também de que as respostas não levarão uma semana para chegar. Ok: essa é uma coisa idiota que eu já havia aprendido antes, especialmente quando fui secretário de Comunicação do Centro Acadêmico. Mas por algum motivo eu demorei a lembrar que professores também são humanos;

– O orientador não é só seu. Ele geralmente tem mais de um orientando. Além das aulas e provas para outros alunos. Além de ter uma família e possivelmente filhos. Ou seja: você está sozinho. Faça, erre, pesquise e não espere o orientador vir te corrigir para identificar suas falhas. O orientador é seu último recurso na pesquisa, não o primeiro. Pense em seu orientador como alguém que tem mais experiência, mas que só vai desembestar a te ajudar se receber os estímulos certos: erre, conserte e pergunte se consertou mesmo. Eles dificilmente vão te dar todas as manhas, dizer o que fazer e quais alternativas escolher. Desenvolva sua autonomia e faça suas próprias decisões: este trabalho é apenas seu;

– Um esboço é um esboço. O trabalho é um trabalho. E o trabalho só deixa de ser um esboço quando está nas mãos da banca. Nada está pronto, nunca. Revisão em cima de revisão, sua, dos outros, e dos orientadores. Repetidas vezes. E não espere o orientador corrigir tudo (incrível, não?), afinal muitas coisas passam em branco por eles também. Mostre para colegas, ou para outros professores, e ouça opiniões. Mostei meu trabalho especialmente para a Lilly, para a Carla, para a Dora e para o Tiago. Gostaria de agradecer eles publicamente pela disponibilidade e pelos comentários que fizeram;

– Converse com seus colegas (sobre o trabalho deles). Até eles pararem de atender o telefone e de te responder no MSN. Saiba se o orientador deles deu alguma dica sobre como fazer a apresentação para a defesa; saiba como eles estão normatizando aquele detalhe que está confuso ou feio no seu trabalho; saiba quais são os assuntos e temas que eles estão pesquisando e procure dar sugestões úteis. Você e eles estão sozinhos nessa. Também disponibilize-se para ler (e dar sugestões) o trabalho deles. É gratificante;

– Reunião presencial é ótima, e as melhores duram horas. No meu caso, tive poucas reuniões presenciais com os orientadores — conversávamos mais por e-mail. Acredito que muito do estresse que tive foi por isso, pois, como dito anteriormente, nem sempre o e-mail é a forma ideal para compreensão. Reuniões presenciais também são boas porque os professores (os meus, pelo menos) geralmente tendem a dizer que está tudo muito bem, que tudo vai dar certo e que o prazo vai acabar na hora correta mesmo que pareça que o mundo está acabando;

– Não acredite que está tudo bem, que tudo vai dar certo e que o prazo vai acabar na hora certa. Não acredite. Morra de pânico. Daí sim vai dar tudo certo (ou pelo menos deveria). A menos que você seja desses que chicken-out e pedem para sair; nesses casos essa é uma má idéia;

– A Secretaria da sua (da minha!) faculdade não é sua amiga. Ela pode fazer tudo para te atrapalhar, então tenha precaução quando depender dela;

– A banca assusta, mas não mata. E se você fez porcaria, não deveria chegar lá, para início de conversa. Prepare-se, obviamente, treinando. Também convide-a com um breve (duas frases?) resumo do seu assunto e as datas disponíveis para a defesa. Cuidado extremo na hora de coordenar o horário de todos envolvidos (banca, orientador, você); e

– Desopile. Há dias em que eu só consigo trabalhar, há outros em que eu só consigo fazer nada. Aproveite.