Tendências emergentes em bibliotecas públicas

Em fevereiro, traduzi um texto publicado pela The Atlantic sobre “novas funções das bibliotecas públicas“. Retorno ao tema, também com uma tradução, sobre tendências emergentes na área, originalmente publicado em Learning Bird, um serviço de educação EAD. Entre na página original para conferir todas as ilustrações dos exemplos citados.

Cabe lembrar que a IFLA também recentemente lançou seu Trends Report de 2016 — o que vale um texto à parte.

O futuro das bibliotecas públicas: tendências emergentes

Já acabaram os dias em que bibliotecas existiam apenas para o empréstimo de livros ou para oferecer um lugar quieto para estudo. Assim como outros espaços educacionais, bibliotecas públicas estão evoluindo e mudando a visão tradicional de como uma biblioteca deveria ser e soar. Na verdade, muitas bibliotecas já descartaram a regra até então fundamental: o silêncio. Ela foi substituída por ambientes de aprendizagem colaborativa e makerspaces, design físico e arranjos de assentos invoadores, e a disponibilidade de tecnologias emergentes e acessíveis.

Pesquisamos o panorama bibliotecário e oferecemos uma amostra de tendências e inovações que estão surgindo em bibliotecas públicas através do planeta.

Makerspaces

Um makerspace é essencialmente um local de trabalho colaborativo onde as pessoas se reúnem para criar, pensar, mexer e explorar. Makerspaces podem ser tão simples ou avançados quanto seu orçamento e conforto permitirem. Por exemplo, você pode oferecer materiais reciclados, como papelão ou eletrônicos velhos, para usuários construírem e criarem novos objetos, ou até mesmo oferecer ferramentas e tecnologias como impressoras 3D, máquinas de costura ou cortadores a laser.

Esta é uma das tendências em bibliotecas públicas que quebra a tradição do silêncio. Makerspaces são qualquer coisa menos silenciosas e tranquilas: elas são barulhentas com as pessoas colaborando, mexendo e usando equipamentos e ferramentas.

Se você pretende implementar uma makerspace na sua biblioteca, seguem algumas sugestões para seu sucesso:

  • Permita que o espaço seja informal e direcionado à comunidade, e não fique apenas reforçando a aprendizagem estruturada e formal, dirigida pela equipe da biblioteca.
  • Designe um espaço específico para fazer. Isto permitirá que o barulho seja contido a uma área da biblioteca e que outras áreas sejam designadas como zonas mais silenciosas.
  • O orçamento está apertado? Procure por subvenções que ajudem a trazer novas tecnologias (impressoras 3D, software, eletrônicos, etc.)
  • Dedique diferentes horários para públicos específicos. Por exemplo, uma “Hora de criação para adolescentes” após o turno escolar poderia estimular usuários adolescentes a se engajar em atividades da biblioteca e desenvolver suas habilidades criativas.

Exemplos:
Biblioteca Pública de Edmonton | Alberta, Canadá
Esta biblioteca oferece impressoras 3D, estúdio de som e um fundo verde, além de programas especializados para makerspaces como exploração digital, noções de Photoshop e de Lego Robotics.

Biblioteca de Westport | Connecticut, EUA
Esta biblioteca inovadora oferecere um programa de Maker-in-Residence (“fazedor-em-residência”, em tradução livre), no qual residentes mensais ministram oficinas em seus assuntos de especialidade. A biblioteca também oferece Feiras de Fazer, com agendamentos com tutores em impressão 3D para treinar usuários sobre como usar uma de suas quatro impressoras 3D.

Frysklab [FabLab] | Friesland, Países Baixos
O FabLab é o primeiro makerspace móvel da Europa em um biblio-ônibus adaptado. Sua visão é trazer habilidades de fazer e do século 21 para estudantes do ensino primary and secondary.

Biblioteca de Innisfil: Setorial Lakeshore | Ontário, Canadá
Esta setorial tem um ‘Hacker Lab’ que oferece acesso a impressoras 3D, corte de vinil, solda e eletrônicos como o Raspberry Pi. A biblioteca atualiza um blog sobre seus diversos programas e iniciativas.

Biblioteca Pública do Condado de Cincinnati e Hamilton | Ohio, EUA
Esta biblioteca tem impressoras 3D, equipamento audiovisual, cortadoras a laser e gravadoras, máquinas de costura, câmeras e outros equipamentos e softwares que os usuários podem usar de graça para criar o que quer que eles imaginem.

2 Laboratórios de criação digital

Outra tendência é a criação de laboratórios de mídia que permitam aos usuários participar em atividades de aprendizado ativo, experimentar novas mídias e formatos informacionais e colaborar em espaços ricos de tecnologia. Laboratórios de mídia digital também têm um papel importante na educação dos cidadãos sobre software e hardware, que podem ajudá-los a desenvolver habilidades para encontrar trabalho em nossa sociedade cada vez mais focada em tecnologia. Muitas bibliotecas, como a Biblioteca Pública Aberta de Louisville no Kentucky ou a City of Virginia Beach Joint-Use Library na Virginia, ambas dos EUA, oferecem aulas de programação pensadas para ajudar usuários a aprender habilidades de informática.

Exemplos:
Biblioteca Pública de Chicago | Illinois, EUA
Seu laborátio YOUmedia foi lançado em 2009 e oferece acesso livre a ferramentas de design gráfico, fotografia, vídeo, música, design 2D/3D, STEM [sigla para as disciplinas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática] e projetos práticos para adolescentes.

Biblioteca Aberta de Fayetteville | New York, EUA
Este laboratório de criação oferece tanto computadores Mac quanto PC, com parede de fundo verde, câmeras de vídeo, equipamento para podcasts e software de edição.

Biblioteca Pública de Stokie | Illinois, EUA
Esta biblioteca oferece laboratórios de mídia de acordo com a idade dos usuários para adultos, adolescentes e crianças, incluindo ferramentas de edição de foto e vídeo, câmeras, microfones e até mesmo uma guitarra e bateria.

3 Design e assentos flexíveis

Novas tendências no design de bibliotecas focam em mobiliários modulares, estantes móveis e paletas de cores vibrantes. Assentos modulares e estantes móveis podem ser facilmente rearranjadas, permitindo maior flexibilidade para estabelecer novos espaços, criar divisões entre áreas e atualizar regularmente o ambiente da biblioteca. Opções de assento também evoluíram de cadeiras retas e de madeira para opções mais confortáveis, como almofadas, sofás e pufes. Cores vibrantes são usadas para serem mais atraentes aos usuários e para indicar uma vibe mais divertida e lúdica.

4 Espaços e serviços multiuso

Outros espaços expandiram a definição tradicional do que é uma biblioteca e qual é o seu papel em educar e dar apoio a sua comunidade. Além de emprestar livros e programas de turno inverso ao escolar, a Biblioteca e Centro de Aprendizagem Hillary Rodham Clinton em Little Rock, Arkansas, oferece uma cozinha educativa, uma estufa, jardim, viveiros e um espaço para performance.

A Biblioteca de San Giorgio em Pistoia, Itália, tem uma grande área expositiva, auditório, café e duas salas de cinema integradas a seu prédio, assim como um makerspace e programas de edição de mídia em seus computadores. A cada ano são oferecidos mais de 800 eventos gratuitos pela biblioteca, planejados e executados pelos funcionários da biblioteca e voluntários. Estes eventos incluem exposições, oficinas e cursos sobre uso de mídias sociais, uso de processadores de texto, programação e design 3D.

Biblioteca Pública de Sacramento na Califórnia tem uma nova iniciativa chamada Biblioteca de Coisas que permite aos usuários pegar emprestado itens que não sejam livros. Sua oferta inclui jogos de video-game, máquinas de costura, instrumentos musicais, jogos de tabuleiro, material de artesanato e tecnologias como projetores e câmeras GoPro. Outras Bibliotecas de Coisas estão surgindo em outras cidades, incluindo esta nova opção em Londres, Reino Unido.

5 Tecnologias emergentes

Bibliotecas públicas começam a alojar tecnologias emergentes que podem ajudar os usuários a aprender novas habilidades ou oferecer um serviço geralmente inacessível ao público geral. Além da tecnologia disponível nos makerspaces, como impressoras 3D, agora existem equipamentos como a Espresso Book Machine na biblioteca central da Biblioteca Pública do Brooklyn. Esta máquina auto-publica livros a baixo custo. Os usuários, assim, podem imprimir e encadernar qualquer coisa de memórias pessoais e livros de receita da família, ou então, podem escolher de 8 milhões de livros em domínio público.

As bibliotecas continuam evoluindo e mudando suas visões, expandindo seus serviços e suas ofertas às suas comunidades. Apesar de elas ainda fornecerem livros e espaço para estudo ou trabalho, é uma ótima ideia dar uma olhada na biblioteca mais próxima se você está pensando em acessar tecnologias emergentes ou quer desenvolver novas habilidades.

3 comments

  1. Olá Fernando, obrigado por compartilhar esse artigo. Defenderei agora dia 28 no PGIE-URGS defendendo uma tese sobre tecnologias criativas em bibliotecas. Se puder aparece por lá. Abraços.

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